quinta-feira, 2 de março de 2017

SOBRE PONTEIROS

Meus caros amigos, eu queria ser uma pessoa ruim e egoísta. Um coração duro, frio, indiferente, uma pessoa que não se importa com ninguém além de si mesma. Para não sofrer pelo bem ou pelo mal que façam ou deixam de fazer para mim. No entanto, exerço a idiotice de se importar com todos, de não guardar rancor e ainda perdoar toda desavença. É como ao olhar para mim as pessoas se sentissem à vontade e pensassem: “Neste a gente pode bater...” O pior é que por sempre me sentir meio ineficiente ou mesmo insuficiente, estou sempre no esforço de ofertar o melhor de mim e nunca digo não. É um defeito eu sei, mas é de minha natureza, quando nem pensei já fiz. Agora, por exemplo, estou esperando muito uma coisa e não conseguir que ela aconteça, traz aquela sensação de fracasso, de impotência, muito embora esteja ali em stand by. Porque acontece que depende de quereres. “-Pára o mundo que eu quero descer!” Preciso de uma pausa. Pronto! 'Água, Terra, Fogo e Ar; Primavera, Verão, Outono e Inverno; Norte, Sul, Leste e Oeste; Frio, Calor, Seca e Tempestade; Dias, Horas, Minutos e Segundos contam o tempo que passa, circula, gira a roda e chega até aqui.' Este é o Tempo! Então, quero pedir ao Tempo, este Orixá tão venerado e respeitável, que me tire tudo, menos você. Pode levar embora todas as lembranças ruins e boas, mas que deixe você. Que sigam para a maré de vazante todas as coisas que emperram, espinham e machuca. Que ele leve tudo o que há de bom e tudo o que há de mau, mas ele deixe você. Que ele passe o café, mas que não esqueça de te deixar pra tomá-lo junto comigo. Que haja tempo para mim e você, juntos. Que ele lhe dê um tempo pra você me amar. E se ainda ele puder atender aos meus apelos, que este tempo não seja fundado na pressa, mas que também não fique parado, porque o tempo…


SOBRE PONTEIROS

Novamente a estação é inverno,
estas paredes permanecem brancas,
brancas mas gastas e órfãs
do seu delicado traço fraterno.
As luas se sucedem na noite infinita.
Um oliva ensombra-me os olhos,
de verde à maduro envelheço restolhos
quando a vejo chegar, hernanita.
Certas horas são mais aflitas
e há luta e há angustia e há desespero
ainda que silenciosamente te espero,
nem escondo dores, são elas explícitas.
Estas ondas que te levam hão de devolver-te,
E amanhã talvez com meu amor vou prover-te.


Meus caros, sem mais nada a declarar no instante. Com um fraterno abraço,

Alam Félix

Um comentário:

  1. O Tempo é sábio, o "Tempo é rei", "é um senhor tão bonito..." quanto a cara dos teus filhos e é também o feitor mais feroz quando assim o transformamos. O sentimento de dádiva pessoal, generosidade ou entrega excessiva eventualmente pode também se travestir de algoz. Melhor assim, a alma endurecida e permanentemente armada pode nos auto-envenenar aos poucos. Por isso comemore a sua leveza e entrega, elas são verdadeiramente suas. E como resultado, mais uma vez esse mesmo tempo aponta para um gostoso momento de provar da sua pena belo rebento poético - fruto de prensadas vivencias sentimentais que sempre deixam e deixarão marcas essenciais ao exercício da arte que você tão bem representa. Abraço grande. NANDO

    ResponderExcluir