domingo, 3 de junho de 2018

Dias Felizes


A minha sorte é que sei que não vou durar para sempre, um dia acaba.” Ouvi a minha avó DasDores repetir isso muitas vezes, minha mãe algumas. Chegou a minha vez de pronunciá-la. Não é nem necessário tentar explicar a sentença, todo mundo sabe qual é a dela. Eu espero. Dias felizes basta vivê-los, dias tristes… Bem, é melhor ser alegre que ser triste. Meus caros amigos, costumamos dizer que a vida é curta, e de fato é, quando menos esperamos estamos prestes a completar 45 anos. Tem coisas que aconteceram há tanto tempo e que parece que foi ontem. Por outro lado, esperar um oi, as vezes leva uma eternidade. Não quebre o encanto porque quero todos os instantes que existem, quero viver para sempre, mas esses dias felizes são tão breves. Nunca vamos saber quando será a última vez, nunca saberemos do último sorriso ou do último até breve, do último boa noite. A minha sorte é que eu sei que não vou durar para sempre e procuro viver o melhor de cada instante porque tudo um dia acaba. Não tenho urgência pela eternidade, embora os dias felizes façam me enganar, embora a verdadeira máscara seja a esperança (uma decepção que ainda não foi assimilada) que me faz aspirar o dia seguinte. E ele virá, cheio de esperança.


Esse eterno de mim

Fracassei em te dar alegria,
É essa toda a minha tristeza.
Soube, o meu amor chorou!
Esperava dias de primavera, assim seria,
mas sou incapaz desta proeza.

Como eu te amo demais
E as novas que se apressam
Dizem que você chorava...
Perdi o riso pra nunca mais,
Por isso minhas forças cessaram.

Eu só queria te ver
E você se entrega aos meus algozes.
Amor, você hoje chora
O ventre, meu novo alvorecer,
Serão pelos olhos e línguas ferozes?

Não!

Sou uma ficção! Escusa-me o assédio
de um ser em desespero
Ainda mais triste se entristeço meu anjo.
Minha sorte tem cara de suicídio,
A esperança é um sonho efêmero.

Acredito, tudo vai dar certo!
Você será feliz, vai sorrir por dois.
Meu amor será um passo à eternidade...
Sei, amanhã será sempre incerto,
Mas esse eterno de mim, deixo pra depois.

Sem mais por hora, uma fraterno abraço,

Alam Félix

quarta-feira, 2 de maio de 2018

VEM AMAR


Vitória da Conquista, dois de maio de dois mil e dezoito desde a vinda do Revolucionário e Subversivo judeu Jesus Cristo. Meus caros amigos, eis que aqui estou, nas incertezas dos dias vindouros, disposto a vivê-los da melhor forma impossível. Avante! Bom, um ano após o último post, me deu hoje uma vontade de vir aqui matar as saudades. Saudade… “é melhor que caminhar vazio” diz a canção do Peninha, o que é engraçado porque a saudade é ausência de alguém que está distante, ou de quem já partiu. Um sentimento de vazio tão vasto que nos ocupa espaço sem par dentro do coração. A saudade nos ocupa com lembranças, as vezes alegres as vezes carregadas de muita dor. Pelo que me consta uma palavra exclusiva de nosso idioma. Tenho saudades de muitas coisas. Saudades de dias, de meses, até saudades de muitos anos atrás. Saudades de mim, saudades de tudo. Saudades do amor tão perto, mas mantido tão longe. Em alguns momentos desejo voltar no tempo para dividir qualquer instante. Como um simples sentar à mesa para um almoço. Ver um sorriso nos olhos. Desejo de ser rodeado e de rodear. Chegar perto, sentir o calor de um abraço, beijar. De ser companhia. De amar.

VEM ME AMAR

Vem depressa meu amor e
abranda com seus beijos um
corpo suplicante por seus braços.
Privado de te, deseja seus desejos,
clama por sua pele, seus afagos.
Vem e cala-me, pois a minha boca
está órfã de todos os seus lábios,
as minhas mãos famintas anseiam
lograr sua tez, moldar-se à sua forma
e comer-te pedaço por pedaço.
Vem até mim, meu anjo
que minha alma tem sede da sua,
e o meu sexo ama a sua cordialidade.
Meu todo seca de desejo, arde, viça,
os meus olhos de longe te devoram
a mocidade.
Vem, razão da minha vida,
que este veio de lava que corre
em minhas veias e escorre de mim
me consome e me mata sem amor,
sem amar me mata de vontade.

Sem mais no momento, estimados amigos, com um fraterno abraço me despeço,

Alam Félix

sexta-feira, 12 de maio de 2017

HAJA LUZ; E HOUVE LUZ!

Caros amigos, como vão vossas senhorias? Espero que estejam em pleno gozo de boa saúde e faculdades. Eu vou bem-disposto na minha missão de educador. Com ideias para projetos de voltar à cena, mas ainda muito timidamente. Tenho conseguido ficar distantes das mídias virtuais, das redes e me ocupado mais com o mundo analógico.. Muito embora, ainda prefiro manter, também, uma distância de segurança em relação às pessoas. As pessoas são melindrosas, e mentem, e fingem o tempo todo. Isso é meio contraditório se anseio pelo palco e o teatro é uma arte do coletivo, das relações humanas… porém, o que não é contraditório nesta vida? Venho hoje para dizer “até logo” por um tempo. Manterei as postagens no ar, mas por hora não haverão textos novos. Não é um adeus definitivo, não mesmo. É porque estou candidato numa eleição do Instituto, tem um congresso do sindicato em setembro que se desdobra numa eleição para a reitoria em novembro e eu estou muito envolvido nisto tudo. Quando tudo passar eu volto (ou mesmo se bater aquela saudade irresistível a qualquer instante). Muitas vezes senti vontade de compartilhar com vocês o que estava sentindo, mas me policiei. Até por prudência mundana, me reservei. Me parece que agora não tem nada de mágico para dizer. A gente se ver por aí.


QUANDO DESCOBRI O AMOR

Certa feita, nem era gente, ainda,
mas sempre sentia ser algo diferente
conhecer todo universo
curioso e galopante de infinito.
Vi ser amor o sexo oposto
brincante das meninas que
me enlaçavam em cirandas
que embailavam-se-me.
Hoje, quando fecho os olhos,
te encontro nestas rodas
aonde você nunca esteve,
mas sempre vai estar.
Acaso seduzir-se o destino,
quem sabe nova essência
penetre e preencha e ocupe
a casca nova na velha.
Em mim envelheceu o amor,
nem sempre sei por qual razão te amei,
sei apenas, quando o descobri,
ele sempre existiu só por você
de mim.

Sem mais delongas, meus caros amigos. Presto assim minhas sinceras homenagens a todos aqueles que se dedicaram às leituras destas modestas palavras. Com um fraterno abraço,

Alam Félix

quinta-feira, 13 de abril de 2017

ENQUANTO O TEMPO PASSA

Meus caros amigos, espero que estejam todos gozando de plena saúde. Na última Quinta-feira Santa (24/03/2016) fiz uma publicação contando do meu deslumbre de menino sobre a Paixão de Cristo. Junto foi a poesia III que acredito ser uma das minhas melhores produções do ano passado “Meu corpo é um jardim/ E minha vontade é o jardineiro...” Já falei por aqui de minha vida católica na segunda infância e pré-adolescência mais de uma vez, né? Pois bem, nosso papo de hoje versa mais um pouco dessa experiência. Eu amava esse festejo. Começava com o Domingo de Ramos e terminava com a Queima de Judas/ Festa da Cebola. Este período que antecede a Páscoa, chama-se Tríduo Pascoal. A Páscoa no Segundo Testamento significa a passagem da morte para a vida: a Ressurreição de Cristo, eu sei que no Primeiro Testamento tem outro significado, mas eu o ignoro; sei também que (talvez num período pré-cristão) pastores nômades chamavam de páscoa uma celebração para a chegada da primavera. Bom, o tríduo do qual falei são três dias de celebração, a Quinta-feira Santa, a Sexta-feira Santa e o Sábado de Aleluia. Não sei se vou lembrar de toda a liturgia, mas lembro muito bem que na quinta tinha o Lava Pés e a Celebração do Amor; na sexta tinha a Celebração do Senhor Morto e, a melhor parte dos festejos que eram, a comilança e a bebilança; no sábado tinha o Ofício das Trevas que representa a descida de Cristo ao reino dos mortos e, para terminar esse processo de preparação para a Páscoa, tinha a Vigília Pascoal. Todo isso para relembrar o mistério da presença e do amor de Deus. Não lembro se acontecia antes ou durante a vigília a Queima do Judas e a Festa da Cebola, só lembro que rolavam e que era uns dos pontos altos do período festivo. Será que todos lembram…? A queima era aquele boneco cheio de fogos de artifícios que todos se sentiam justiçados ao atear fogo no Judas simbólico, já a festa reunia os jovens da paróquia e as meninas eram que tinham que tirar os meninos para dançar. Bons tempos, tempos de ingênua inocência.


ENQUANTO O TEMPO PASSA

Decanta a poeira em ponteiros:
Enquanto espero que perceba;
Enfileiram-se memoriais estéreis:
Enquanto giro displicente a roda;
Instrumentos surtos gritam suas notas:
Enquanto estudo conselhos inúteis;
Olhos cegos iluminam o vácuo:
Enquanto cato os cacos prematuros;
Estala a linha que rompe aço:
Enquanto engasgo aquele vinho;
Amarga o tempo que passa:
Enquanto mato a sede a alma:
Ignora, relapsa, adia, desmerece:
Enquanto o tempo dirá o quanto
Eu te amo.
Enquanto o tempo passa.

Meus caros amigos, desejo-lhes uma boa Sexta-feira Santa, boa Páscoa. Sem mais no momento, por hoje é só. Com um abraço fraterno,

Alam Félix

segunda-feira, 27 de março de 2017

EDEMA COM CHUMBO QUENTE

Meus caros João e Fernando. Nada é para logo. Nada é para o instante, ao menos. Isso sobre o que falamos, sobre o que digo aqui, acolá, é fruto de reflexão de anos. Questiono tudo, porque quê é tão aterrorizante a ideia de interromper um jogo do qual não tive chance de dizer não? Não quero! Porém há muito ainda antes de qualquer coisa, qualquer ato, ainda que o nado seja contra a correnteza a perseverança me obriga crer que algo ainda possa ser realizado. Então,


QUANDO TUDO CONSPIRA CONTRA MIM

Não é só a saudade o que me
deixa triste,
tudo o que vejo ou sinto
não dá conta de uma existência
é muito longe do quê…
do que sonhei, quis viver.

Daquilo que tenho, mas desconheço
dos corpos que toquei
das pedras que pisei
do chão que brotei
e ainda quase nada ou nada sei.

Remoto passado minha cidade
toda nostalgia melancólica
nem me ampara nem me protege
não existe magia não existe poesia
porque o ânima que me anima
cansou de brincar.

Não há amor não há violão
nem tropeço necessário
ou motivo para rebelar
dúvidas, razões, coragens
medos, expectativas, consolo.
Esperar ou partir?
Partir ou esperar?
Ser o vingador sem razão de vingança?
Tampouco entendo razão plena pró humanidade.

Me despeço sem lágrimas
Sem paixão sem remorso sem dúvida
Um pouco de saudade talvez
Do tempo que cri saber ser amor.


Bem, o espírito é matéria fluída enquanto a carne é um peso, são matérias completamente diferentes. Nossa essência, nosso sentimento, nosso pensamento germinam em nosso espírito enquanto a carne nos impõe necessidades fisiológicas. A carne fede, deprava, corrompe, oprime, vicia. Porque utilizamos de tanto artifícios para nos maquiarmos em felicidade? Diversão, ópios, viajar, conhecer… a que? A quem? Tem uma música do Novos Baianos que nos pergunta “Porque não viver este mundo, se não há outro mundo?” De fato não há.


JULIETA NEM VEM MAIS

Enraízo, envelhecemos.
Como tudo é seu instante
Racho, seco, transpasso,
Orvalho, amanheço auroras.
Esparso vida esvai-se alegrias.
Triste fim esta linda morada
Este céu impecável do sudoeste
Este pôr-se do sol, definitivo.
Esvazia-me e silencia-me sua ausência
Essa insistência em ser não;
Esta cama vazia – Eita! Manhã fria.
Sou um homem doente
Carente de qualquer túmulo,
Estrangeiro de qualquer lugar,
Viciado, dependente, acabado.
Romeu em busca de fármacos
Porque Julieta já não vem mais
À Mântua.
Um tanto veneno remédio
Pro abrir e fechar dos olhos,
Pra fechar e não abrir a alma.

Agora chove, quem me dera chovesse para sempre. Com um fraterno abraço,

Alam Félix

domingo, 26 de março de 2017

COMO É DIFÍCIL SER UM OGRO

Meus caros amigos, minha prosa e poesia, elementos vivos de minha existência, as vezes pobres as vezes rica são lamentos de minha pobre alma. Um ser humano que desce a  ladeira desenfreado e com medo de tudo e de todos. Tem horas que amanheço o dia, tem dias sem horas que nem amanheço. Senhoras que conhecia, senhoras que desconheço. Isso tudo me angustia. Nem caminho só tropeço. Vivo este mundo amor-de-mentira enquanto ainda cedo envelheço. A partir de agora renego ao mundo carnal com seus prazeres, facilidades e falsas verdades para fazer votos de castidade porque o que a carne deseja nos levar a trair o princípio maior da humanidade: amar ao próximo como a ti mesmo; gentileza; e a generosidade. Como poderei amar ao próximo se não amo a mim? Ou amo o próximo só pelo prazer que a carne proporciona e me ferve e se impõe? Enquanto permaneço filiado a este partido da peste nunca poderei evoluir, dar o passo em direção a luz. Só uma vida de servidão a uma causa humanitária me redimirá e estou na buscar deste propósito. Servi a minha comunidade, servir aos meus irmãos, servir ao meu povo, mudar este mundo, lutar contra as injustiças, amar a humanidade. Eu quero fazer isso sem precisar nascer de novo e nunca mais precisar voltar aqui. E quando eu julgar terminada a minha missão, não ficarei para colher frutos, louros, benesses ou elogios. Também não esperarei um fim alheio a minha vontade. Porei fim eu mesmo a esta jornada a mim imputada utilizando do mesmo arbítrio de negar o mundo pelo mundo, negar a vida pela vida.


PERANTE SEUS OLHOS

Me desfaço de tudo
Te busco te necessito te deixo
enquanto vais mesmo embora
de mim.

As vestes desta noite
me deixam em falso
com o meio e o medo de amar
novamente.

Nem saiu e já sinto saudade
escravo voluntário da paixão
sem senhora sem dona e só castigo

Meus gestos negam minhas palavras:
as que dizem não
as que dizem odeio
as que dizem esqueça
as que dizem nunca mais volta

Não há abraços nem carinhos sobre mim
perante seus olhos
vago eu, mar insólito, solidão

Perdido num não-sei-quê
de expectativas que ainda
desejo nem quero desejar
te ver partir te ver chegar.

Apois, o afamado livre arbítrio terá julgamento a favor ou contra, meus caros? Crenças ou crendices? Deus ou Deusa? Ou Deuses? Ou Deusas? Primeiro ou Segundo testamento?

Com um fraterno abraço,

Alam Félix

quarta-feira, 22 de março de 2017

ME CHAMA DANIELA

Meus caros amigos, serei breve. Não pude evitar. Saíram sem meu comando, sem breve estudo e eu não pude calar. lhes apresento:

BOA NOITE

Sem nenhuma genialidade
Procuro uma palavra qualquer 
A procuro desesperadamente 
Para lhe desejar uma boa noite
Mesmo porque sabes de cór
As frases que sempre uso
Para lhe dizer que te amo e
Quanto.
Como é triste sua distância
Como reflete magoa e dor
Todas a noites sem você
Mas a simplicidade...
Nunca tive o luxo de desejar-lhe um boa noite 
Envolto de seu leito
Profundamente triste existo, meu amor.

Boa noite, mesmo longe de teu calor, boa noite.


Esta segunda, me fez lembra de Ânima do Milton: “Lapidar/ Minha procura toda/ Trama lapidar/ O que o coração/ Com toda inspiração/ Achou de nomear/ Gritando alma...” Tanto pelo tema proposto pelo último post, mas pelo o que está postado aí abaixo também. Lhes apresento:


ME CHAMA DANIELA

Não te chamarei mais de meu amor
ou qualquer um nome carinhoso
nem apelidos nem diminutivos,
seu nome é Daniela.
E você vai continuar a pessoa linda
que já é,
deslumbrante, d+, você é o cara!
Todo mino excessivo, toda hora a mais,
toda exceção, todo apreço, toda atenção,
tudo que digo, tudo que faço, tudo que abraço
tudo que verso, tudo que sonho, tudo que avesso
você merece mais, você não prestigia
cada porto,cada colosso, cada mar têm
seu ladrão, sua vazante, sua maré
navego a esmo minha solidão
sou nau à deriva, sou tufão, não sou nada.
Portanto me chama de “um”, de “ele”, de “o”,
ou mesmo “nenhum” ou nem me chama
A chama que me anima será eterna
Fogo que ateia vida
E encontrarei vida.


Sem mais no momento, com um fraterno abraço,


Alam Félix