amálgama
ela me acordou
esta manhã.
como sempre insensível,
distante e fria,
seu hálito, seu
beijo e suas novas, queria,
fossem quente,
suave e alegre afã.
a mágoa que deixas,
deixa rastro
em todo vivo que
se faz apartado,
mesmo vivo está
morto, subjugado, atado.
tu? entre pêsames,
desfila seu sorriso sinistro.
amarga e vicia na
dor este peito gasto,
mas não me arrasto
para sua cova
porque me conforto
nesta trova,
mas ainda devoras todo
amor casto.
deixa estar,
danada,
corresponderei ao
teu inebriante beijo
com sensualidade
sabor goiabada com queijo
então se sentirá
amada, afortunada.
por hora, pode
partir,
mas saiba funesta
criatura
que levas o corpo,
sua imatura,
pois a alma vai na
vida coexistir.
Esta madrugada uma queridíssima amiga perdeu (?) sua sobrinha Patrícia, e eu que não domino a
palavra falada, embora o coração grite a todo instante, escrevi “amálgama” e
lhe enviei. Quando a reencontrar, falaremos de nossas dores e de se reconciliar
a vida, enquanto está guardada a parte V do adeus. Fui no porto hoje e estava
tudo tão melancólico, eu, ele, o mar. Tinha uma música qualquer que queria soar
tristeza com a certeza que ali estava a fronteira. Pedi licença, entrei no mar,
mas não me senti em casa, sem pertencimento nada ali era meu, nem eu. Saí dali
escrevendo meus passos na areia. Saí dali como quem nasce. Saí dali fugindo de
um silencio para o outro. Saí dali sem alguém.
Solstício de
inverno
Dezembro já nem
existia
janeiro foi
pequena fada
e fevereiro me
reservava
beijos que já não
queria.
Verão virou outono
num março de
guerrilha
fez-se da corda,
forquilha,
outro beijo, inferno
uníssono.
Abriu fechou-se em
mim
esperança, esse
amor.
em suas curvas vi
esplendor
da flor do jasmim.
Desponta maio,
graciosa,
ainda sou pequeno
curumim,
infantil, a usar
cocar de capim
refém de sorte contenciosa.
Que junho traga
rigoroso inverno
e sua longa noite
do solstício,
imerso nestas trevas
esteja o início,
o meio, o fim,
estagnando o eterno.