domingo, 18 de dezembro de 2016

NÃO TIRE ESSE BEIJO DA MINHA BOCA

Vitória da Conquista, 18 de dezembro de 2016. 20H22.

Meu caro Fernando,
Já se completou um ano que visitei a sua casa e de lá pra cá nunca mais nos encontramos. Meus caminhos me afastam cada vez mais de Alagoinhas. Contrariando meu registro me sinto de lugar nenhum. Na verdade, eu queria estar tantos lugares... Nando, meu velho, e as meninas, como estão? Nêgo, hoje passei o domingo numas de apertar parafusos e entre um parafuso e outro me perguntava, quando a gente ama a gente ama sempre da mesma forma? ... E tome-lhe a girar a chave de fenda para dentro... Eu me responderia que não(?) e tenho um leque de formas de amar para distribuir na mesa como demonstração. Eu amo os meus filhos, mas amo a todos da mesma forma? Eu amo minha mãe. Eu sei que amar é difícil. Eu sei o quanto amar é egoísta. Eu sei o quanto amar atrapalha o desejo. Eu sei amar(?). Também sei do querer ou do quanto quero(?). Meu caro, você sabe, como tenho sido um eterno retorno de minhas dores, os registos neste blogue são réus e testemunhas. Porém, esta fonte inesgotável exorta mais uma vez, enquanto ebule o sangue que faz da respiração uma erupção que contamina todos os sentidos que me deixa a mercê instintivo dos reflexos que embriaga a razão. Até quando?

Não Tire Esse Beijo Da Minha Boca

Não me negue esse ópio,
Me deixa tão feliz e leve...
Não me tome esse copo,
Tome-me em seus braços, me leve.

Não proíba esses vícios,
Acolha as minhas tristeza e alegria.
Não julgue esses delírios,
Fantasia comigo a sua sabedoria.

Não negue o inteiro, não me peça pouco,
Viva essa fome de afagos, loca.
Não subtraia essa essência, tampouco,
Não tire esse beijo da minha boca.


E assim meu caro amigo Fernando, Fernandinho, peço licença para terminar o meu cachimbo. Com um fraterno abraço...

Alam Félix