Meu
caro Fernando,
Já
se completou um ano que visitei a sua casa e de lá pra cá nunca mais nos
encontramos. Meus caminhos me afastam cada vez mais de Alagoinhas. Contrariando
meu registro me sinto de lugar nenhum. Na verdade, eu queria estar tantos
lugares... Nando, meu velho, e as meninas, como estão? Nêgo, hoje passei o
domingo numas de apertar parafusos e entre um parafuso e outro me perguntava,
quando a gente ama a gente ama sempre da mesma forma? ... E tome-lhe a girar a chave
de fenda para dentro... Eu me responderia que não(?) e tenho um leque de formas
de amar para distribuir na mesa como demonstração. Eu amo os meus filhos, mas amo
a todos da mesma forma? Eu amo minha mãe. Eu sei que amar é difícil. Eu sei o quanto amar é
egoísta. Eu sei o quanto amar atrapalha o desejo. Eu sei amar(?). Também sei do
querer ou do quanto quero(?). Meu caro, você sabe, como tenho sido um eterno
retorno de minhas dores, os registos neste blogue são réus e testemunhas. Porém,
esta fonte inesgotável exorta mais uma vez, enquanto ebule o sangue que faz da
respiração uma erupção que contamina todos os sentidos que me deixa a mercê
instintivo dos reflexos que embriaga a razão. Até quando?
Não Tire Esse Beijo Da Minha Boca
Não me negue esse
ópio,
Me deixa tão feliz
e leve...
Não me tome esse
copo,
Tome-me em seus
braços, me leve.
Não proíba esses vícios,
Acolha as minhas
tristeza e alegria.
Não julgue esses delírios,
Fantasia comigo a sua
sabedoria.
Não negue o
inteiro, não me peça pouco,
Viva essa fome de
afagos, loca.
Não subtraia essa essência,
tampouco,
Não tire esse
beijo da minha boca.
E assim meu caro
amigo Fernando, Fernandinho, peço licença para terminar o meu cachimbo. Com um
fraterno abraço...
Alam Félix