segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

SEM CULPA SEM CULPADO

Caros amigos, tenho varado madrugadas e dormido muito pouco, o porquê não sei. Nada há de extraordinário em minha rotina. Nada que justifique essa insistente insônia. São agora 03:37 da terça-feira, 28, e eu aqui aceso como se ainda nem fosse 18H. Como mente vazia é oficina do Cão pus-me a maquinar… Aí que me veio a frase do soneto CXLVII (147) “sinto no horror que desejo é mortal, se falta o trato” e de fato, concordemos com o bardo, é a visão do inferno encarnado. Agora, estar no lugar de negar tal trato pode até ser confortável e esse objeto do desejo poderá reagir das mais variadas formas. Não quero nem listar aqui as possibilidades. Qualquer atitude lhe exime de qualquer culpa. Não vou escusar-me de livrar também desta responsabilidade a dona , ou o dono, do desejo. Ninguém tem culpa por amar ou deixar de amar. Celebremos a afinidade de desejos, aí sim é o paraíso em vida! – não há mais nada há dizer. Mas, mesmo assim eu vou falar. Me deparei esta semana com uma suposta carta de suicídio de Kurt Cobain e suas últimas palavras foram: “Não tenho mais paixão, então lembrem, é melhor queimar do que se apagar aos poucos.” E eu via tanta beleza no mundo...


MEA CULPA

Ei, não posso roubar sua graça
faça-se presente, não se esconda
venha para a rua, para a praça
não priva o sol do teu calor
nem me evita assim porque
não direi seu santo nome
nem hei de traçá-lo em papel vulgar
não se envergonha assim
de mim, de minha imaturidade
quando tanto te amei
buscava tão somente cumplicidade
não há culpa não há culpados
então apareça, dê o ar
traga contigo o seu amor
seja lá quem for
nasci com o sonho de ser eterno
pago com a moeda da solidão
a partida é a minha melhor qualidade
meu maior desejo é a saudade
venha cá, dá-me um abraço
porque 'a poesia está para a prosa
assim com o amor está para a amizade'.

Bom meus caros amigos, acho que por hoje é só. (vai saber, né?) ainda sem sono (agora 04H57). #partiuNetflix... com um abraço fraterno,

Alam Félix

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

PIU-PIU SEM FRAJOLA

Meu caros amigos, um breve texto que me acometeu na última madrugada. Estou tentando fazer as pazes, com tudo, e eis que este saltou e fui, ao longo do dia formatando-o. O engraçado é que isto se dá da forma mais inusitada porque é meio que o tiro sem alvo, mas o que há de se fazer? O desejo é uma coisa engraçada, pode ficar latente por um longo tempo, escondido, mas está lá em algum lugar esperando a oportunidade... e não mais que de repente simplesmente acontece. Na verdade, o que acontece é, ou na maioria das vezes acontece é que “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria...” “Porque que tem que ser assim, se meu desejo não tem fim?”



DESEJO LATEJANTE

Nada dormi esta noite.
Manteve-me acordado o
pulsante tesão de
há poucos instantes.
O membro firme em brasa
reclamava por abrigar-se
na sua casa,
em seu quarto, seu leito.
Em minhas mãos,
ainda quentes,
a sensação viva
de percorrer o delírio
destas suas curvas,
de seu corpo lindo
e perfeito.
Meus braços órfãos
anseiam seus abraços.
Minhas costas por suas unhas.
A minha boca molhada,
vivia o toque de seus lábios,
sua língua, seus beijos,
lembrando o aconchego e
o encaixe exato
de uma boca feita para a outra.
Na sincronia de nosso ato
meu corpo era o seu,
o seu o meu,
e o paraíso entre as pernas.
A noite em claro
de um silencio ensurdecedor e
meu sexo rijo, teimoso,
implora por seu gozo.

Bom meus caros, em riste sempre! Sem perder a ternura... com um fraterno abraço,

Alam Félix

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O ARQUITETO, A ARQUITETA

O ARQUITETO, A ARQUITETA

Meus caros amigos, me preparei espiritualmente para fazer uma postagem de alegria. Juro. Repleta de coisas boas, só coisas boas! Vdd. Era mais ou menos assim:

AMAR A TUDO
Eu amo os seus olhos,
Mas amo ainda mais o teu olhar.
Eu amo seu sorriso,
Mas amo ainda mais tua risada.
Eu amo a tua pele,
Mas amo ainda mais senti-la.
Eu amo a sua mão,
Mas amo ainda mais o teu toque.
Eu amo o seu cabelo,
Mas amo ainda mais os teus penteados.
Eu amo a tua boca,
Mas amo ainda mais todos os lábios.
Eu amo os seus acertos,
Eu amo os seus erros,
Eu amo quando você chora,
Eu amo quando você chega,
Eu amo quando você me chama,
Eu amo quando diz não, quando diz sim,
Eu amo também quando suspira,
Eu amo você aqui, também amo lá
Eu amo quando torra de preocupação,
Eu amo na alegria e amo na tristeza...
Eu te amo.

Na vdd, este é um texto que não considero pronto. Ainda queria trabalhar mais nele, escutá-lo, torná-lo orgânico, vivo, mas ei-lo que nasce prematuro. Não posso mais tocá-lo, porque... Acontece que existe o Arquiteto, ou roteirista como eu gosto de falar, que insiste em me ver chorar. Arquiteto este que tem um prazer doentio de derrubar-me cada tijolinho que arrumo tão sacrificadamente. Há alguns dias enquanto encangava grilo, brincava de procurar o significado do meu nome e, também, o de outra pessoa. Descobri que a grafia com “M” no final para Alam é de origem árabe e que por lá significa bandeira ou sinal. Segundo o autor do artigo o nome pode ter sido originado do gaélico Ailène que significa pedra, rochedo denotando resistência, durabilidade, estabilidade. Há indícios ainda que este nome tenha origem na palavra celta Alun que pode ser traduzido como harmonia ou verdadeira paz. Ou seja, vários significados e qual deles é o meu nome? Mas falta ainda o Félix, originado do Latim que traz uma resposta direta, mas que se configura uma antítese: feliz, sortudo, bem-sucedido ou bem-aventurado. Já me disseram que não consigo esconder meus sentimentos, talvez então Bandeira seja meu verdadeiro nome; embora Rochedo também dá conta do recado uma vez que a resistência, a durabilidade e a estabilidade são características da minha personalidade;  Assim como estimo muito a Harmonia e a pratico no convívio com meus pares; Mas o que é minha cara mesmo é Verdadeira Paz, por um tempo, lá em casa, recebi a alcunha de moringa por que não esquentava a cabeça com nada e entre meus colegas de bike sou conhecido como Zen, pessoa calma, tranquila, mística, contemplativa que não se abala com nada. Então, sou todos eles, mas considero um pouco muito puxado isso para uma pessoa só, e ainda tenho a obrigação de ser eles e ser feliz. Mas, peraê, sou um Virginiano (signo do qual possuo algumas das qualidades) com ascendente em Escorpião (signo que me deixou como herança todos os seus defeitos). O outro nome: “É o senhor quem me julga”. Venha cá Grande Arquiteto, até onde vai a sua maldade?


AMADA MÁGOA

Chegou o adeus definitivo, Arquiteta.
Preciso do ponto, e final, acabar com isso
pelo fascínio da mais dilacerante dor
nem posso evitá-la, amor, meu infinito.
O instante faz necessário curtir, tão somente,
porque envergonha-me meu desejo,
porque envergonha-me minha idade e
também envergonho-me ser Gancho e
ser o Pan dos infernos.
Meu adeus tripudia minha pessoa
como segrega, dizima, minimiza e ignora,
e despreza, e nega,
mas não faz do amor uma mentira.
Não faça do amor uma mentira, Arquiteta.
Sua voz que tanto cala minh’alma
e me acalma
também é inferno neste mesmo céu.
Parto porque hoje é vida que acaba, Arquiteta,
esta nave vazia de fies, meu peito,
não suporta mais desamores, falsidades, dissimulações.
E todos os sabores,
E todas as cores,
E tudo sobre a minha mãe,
Ou toda a vida que nem construímos, Arquiteta,
amarela em papel manteiga numa gaveta qualquer.
Jurei nunca maldizer um amor, amor,
acontece que ascendo escorpião que vocifera
e sangra em lágrimas e destila fel e veneno...
Nossos instantes foram embuste, Arquiteta?
Toda paz fraudulenta? Toda alegria simulacro?
Não existe ponte ao alcance do pardieiro
porque sou eu este edifício alquebrado
porque me sinto assim.
E me odeio porque te amo
e porque te amo, te odeio,
Arquiteta, barroca,
Adeus.

É, companheirada. um passo de cada vez e bola para frente. A estrada é longa, espinhosa e de cheia  pedregulhos, mas não é intransponível. Acho que nunca escrevi um post tão rápido e de rompante como este de hoje, mas por hoje é só. Com um fraterno abraço,

Alam Félix

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A Revolta dos Dândis

A Revolta dos Dândis

Bom, vamos começar pelo pré-início, certo? Sempre que digo algo sobre a minha formação, enquanto pessoa, cito uma série de artistas e obras que julgo que foram importantes para mim. Costumo citar também a teologia da libertação na catequese da pré-adolescência e os quadrinhos de sacanagem. Cito Legião Urbana e Titãs, o Grupo Brecha e o Ensaio sobre a cegueira/O Evangelho Segundo Jesus Cristo, ambos de Saramago. Deixe-me fazer uma justiça: o disco A Revolta dos Dândis da banda Os Engenheiros do Hawaii. Na semana passada na sala de aula, uma aluna citou um trecho de Infinita Highway “A dúvida é o preço da pureza”. Por conta disso passei os dias de lá para cá ouvindo e reouvindo o disco sentindo um gosto de 1988 na boca. Passei tudo isso em revista comigo aos 15 anos. Nossa!! Como tem de mim ali, talvez seja mais acertado dizer como tem do “Revolta..” em mim. Aquelas canções... Todas elas dialogam com o Alam de agora. Bom, mas a visita de hoje, objetiva tratar de uma nova investida, o projeto eller, cuja brincadeira é manter o corpo limpo de substâncias entorpecentes para criar, depois pirar na criação e então overdosar (quem viu Cássia em Veneno Vivo de perto, sabe do que estou falando), isto leva a citar uma festa muito jovem que fui conhecer no dia 04/02/17, a Xcania, em sua 7ª ed. Tal evento me fez lembrar uma frase dos 80’s “melhor viver dez anos a mil, que mil anos a dez”, se eu não me engano falado, pelo hoje chato, Lobão. Falando nisso, esta semana ainda, tive uma conversa com uma amiga muito querida, muitíssimo querida, sobre este roteiro insosso que é a vida. Na verdade, a vida oferece sensações interessantes, porém é preciso estar completo para vivenciá-las plenamente. E este estar completo é que é o “X” da questão. O texto abaixo é sobre essa conversa (espero que isso não seja um problema para ela). Então, chagamos enfim ao início, citando Caetano e sua Ele Me Deu Um Beijo Na Boca: “a vida é oca como a toca de um bebê sem cabeça” e Gessinger e seu Revolta dos Dândis: “o sangue só corre nas veias por pura falta de opção”. Na conversa, em algum momento, lhe perguntei por que tudo se engendra desta maneira? Tento não incomodar nem abusar ninguém, porém vem algo de lá que rouba-me a paz mais cara. E o que isso tudo tem haver? Bom, deixe-me explicar:

Rachaduras

Já faz um tempo que não sou feliz,
encarno cego signo imérito ao nome
como latente desejo que não come,
emolho dias de nenhum ardis.
No belo traço da verdadeira paz
há insossa harmonia de formoso vazio.
Imposto à vida, este famoso desvio,
traduz inútil desejo de ser aventura audaz.
Através de tais rachaduras, se esvai
o pulso galanteio do querer viver.
Saiba, tampouco é santo o meu querer,
por isso, sou aquele filho que nega o pai.
Desculpe te amar em demasia ou se seu beijo venero,
Seu honesto amor é tudo o que eu mais quero.


Sem mais no momento, meus caros amigos, com um abraço fraterno,

Alam Félix