“Mas
a vida é real e de viés. ” Nunca fui o otimismo em pessoa, mas sempre brotou de
mim amor em demasia. Por hora, uma estiagem racha o solo, já seco, em meu
peito. Tornando raro em mim o sangue oxigenado, pulsante, para alimentar as
minhas células. Hoje corre em minhas veias algum tipo de liquido espesso,
lento, grosso que ao se arrastar nesta malha fina causa angustia e sofrimento,
sufocando ainda mais a vida que se desafia. Travada entre os dentes a amargura
desta lida, sigo confiante em me dedicar ao labor com a esperança de encontrar
ambiente que dilua qualquer coisa. Mas hei que me sinto ainda mais invisível
diante de espelhos que não me enxergam. Que ignoram qualquer ser humano que não
seja o umbigo. Ignorância letrada que chafurda no lodo da causa própria,
garantias pessoais e que deitam e rolam no chiqueiro dos benefícios, fg’s, cd’s
e prerrogativas abusivas (um poderzinho!), desde os mais altos escalões à ralé
que se esbofeteia por migalhas de cifrões de níquel em forma de gratificações,
progressões, rsc’s. Me desconheço ao reconhecer meu reflexo suíno sedento pelos
mesmos farelos. Cadê o Artista que eu conheci, formei e vivi? Está enfermo em
estado terminal? Preciso de uma máquina qualquer que force uma quantidade considerável
de oxigênio em meus pulmões com um pouco de vida.
DE
OLHOS BEM ABERTOS
com
o corpo atônito, amargurado,
em agonia, assustado,
e uma erupção dentro de mim.
de
olhos bem vivos, vidrados,
tristes, rendidos, mareados,
e uma erupção dentro de mim.
a alma órfã, em desespero,
cativa, sequestrada,
pregada, de voz embargada:
e uma erupção dentro de mim.