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muito embora não haja ligação alguma com qualquer coisa que venha vivendo
atualmente. Ou com o que eu gostaria de dizer. Como é ausente, definitivamente,
a figura paterna no cerne que originou o núcleo familiar no qual eu nasci. Meu avô
paterno, Claudionor Santos Moreira, morreu quando o meu pai tinha apenas cinco
anos de idade e, sozinha, minha avó Nêga, Benilda Silva Moreira, criou seus
filhos, cada barriga de um pai diferente. Conta-se a história que minha avó
permaneceu de luto fechado por um longo tempo, mantendo a imagem de viúva
resignada. Como ela era bem rechonchuda, conseguiu esconder uma gravidez até ir
à maternidade para dar luz aos mabaços. Nesta ocasião, meu pai saíra cantando a
plenos pulmões para quem tivesse ouvidos “A viúva foi parir, a viúva foi parir,
tralalalá lalá”. A ausência paterna vivida pelo meu pai talvez seja o motivo d’ele
ter sido pai tão ausente, como não recebeu esse carinho não aprendeu a amar um
filho. Mas como posso eu condená-lo se, mesmo em circunstâncias diferentes,
repito o mesmo erro, eu que tenho duas filhas e não tenho nenhuma? E meus
garotos agora sempre tão distantes? Minha avó das Dores se separou de meu avô
Miguel e também sozinha teve que se virar na criação de seus filhos com a “ajuda”
de, muitos, terceiros. Espalhou os filhos pelo mundo de meu deus para trabalhar
nas “casas de família”. Conheço apenas o testemunho de Mainha, suas dificuldades
e desventuras nos lares alheios, mas isso é um episódio para uma outra oportunidade.
O fato é que me formei entre mulheres resistentes, resilientes, fortes e corajosas
que enfrentaram as mais adversas vicissitudes na dificílima arte de manter-se
vivo, de sobreviver e perpetuar sua prole. E é só isso que fizeram toda vida,
sobrevida. Sou cria de mulheres, biológico, social, literal. Simbolicamente
também. Biosimbólico. Embora pai, tornei-me também mãe, pãe, como se costuma
dizer dos pais solteiros. Amo tanto a figura materna a ponto de sonhar desejar
alimentar a partir do meu corpo, meu peito, o filho amado. Minha árvore é de um
tronco Marias. Benilda, Maria das Dores e Maria Luzia que hoje, 13 de dezembro
de 2015, completaria sessenta e sete anos.
MEU TRONCO MARIAS
Nome bonito é
Maria.
Que existiu desde
sempre,
Antes de ser gente,
lembre,
Por perto sempre
estaria.
Nome forte é
Maria.
Alimentado de sua
matriz,
Seu leite regou
minha raiz,
Formou-me sua
sabedoria.
Nome querido é
Maria.
Por mais longe que
esteja,
Meu peito bate,
almeja,
Um dia
reencontrá-la, alegria.
Nome saudoso é
Maria.
É carne da minha
carne,
Essência do meu
cerne,
Alicerce meu,
minha matéria.
Hoje é o primeiro treze de dezembro de minha vida que não foi comemorado. Meu coração, ainda amargurado, tentar se reconciliar com a saudade. Sem mais no momento, caros amigos, um fraterno abraço.