Meus caros João e Fernando. Nada
é para logo. Nada é para o instante, ao menos. Isso sobre o que
falamos, sobre o que digo aqui, acolá, é fruto de reflexão de
anos. Questiono tudo, porque quê é tão aterrorizante a ideia de
interromper um jogo do qual não tive chance de dizer não? Não quero! Porém há muito ainda antes de qualquer coisa, qualquer ato, ainda que o nado seja contra a correnteza a perseverança me obriga crer que algo ainda possa ser realizado. Então,
QUANDO TUDO CONSPIRA CONTRA MIM
Não é só a saudade o que me
deixa triste,
tudo o que vejo ou sinto
não dá conta de uma existência
é muito longe do quê…
do que sonhei, quis viver.
Daquilo que tenho, mas desconheço
dos corpos que toquei
das pedras que pisei
do chão que brotei
e ainda quase nada ou nada sei.
Remoto passado minha cidade
toda nostalgia melancólica
nem me ampara nem me protege
não existe magia não existe
poesia
porque o ânima que me anima
cansou de brincar.
Não há amor não há violão
nem tropeço necessário
ou motivo para rebelar
dúvidas, razões, coragens
medos, expectativas, consolo.
Esperar ou partir?
Partir ou esperar?
Ser o vingador sem razão de
vingança?
Tampouco entendo razão plena pró
humanidade.
Me despeço sem lágrimas
Sem paixão sem remorso sem
dúvida
Um pouco de saudade talvez
Do tempo que cri saber ser amor.
Bem, o espírito é matéria
fluída enquanto a carne é um peso, são matérias completamente
diferentes. Nossa essência, nosso sentimento, nosso pensamento
germinam em nosso espírito enquanto a carne nos impõe necessidades
fisiológicas. A carne fede, deprava, corrompe, oprime, vicia. Porque utilizamos de
tanto artifícios para nos maquiarmos em felicidade? Diversão,
ópios, viajar, conhecer… a que? A quem? Tem uma música do Novos
Baianos que nos pergunta “Porque não viver este mundo, se não há
outro mundo?” De fato não há.
JULIETA NEM VEM MAIS
Enraízo, envelhecemos.
Como tudo é seu instante
Racho, seco, transpasso,
Orvalho, amanheço auroras.
Esparso vida esvai-se alegrias.
Triste fim esta linda morada
Este céu impecável do sudoeste
Este pôr-se do sol, definitivo.
Esvazia-me e silencia-me sua
ausência
Essa insistência em ser não;
Esta cama vazia – Eita! Manhã
fria.
Sou um homem doente
Carente de qualquer túmulo,
Estrangeiro de qualquer lugar,
Viciado, dependente, acabado.
Romeu em busca de fármacos
Porque Julieta já não vem mais
À Mântua.
Um tanto veneno remédio
Pro abrir e fechar dos olhos,
Pra fechar e não abrir a alma.
Agora chove, quem me dera chovesse para sempre. Com um fraterno abraço,
Alam Félix