sábado, 28 de janeiro de 2017

PESSOA

Ah, meus caros amigos,

“Até quando?” Eu me perguntava há pouco mais de um mês. “Até o fim” Me parece ser a resposta. Sabe, tem uma porção de coisas que eu gostaria de evitar no momento ou até mesmo evitar para sempre. Embora ‘para sempre’ seja sempre uma expressão que me assusta. E nada é para sempre. O que na verdade, é muito bom. Tentei evitar, mas não consegui. Repare comigo, este roteiro que é a vida, é muito repetitivo. Por mais que a gente tente fugir da rotina, a fuga torna-se rotineira. Sempre ouço, “Vamos trilhar caminhos diferentes”, ‘diferentes’ o quanto? Neste caminhar faremos a trilha ou a trilha nos farar? “pouco importa o onde, o importante é ir”. O Gato, meio que discorda disso. Ele diz, algo assim, a Alice: “Se sabe onde quer chegar, pouco importa o caminho que vai seguir.” Pessoa arrebata: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Vamos, sem destino, sem trilhas, sem hora, sem agora, sem medo, sem amanhã. Vamos, Pessoa!




PESSOA

Enquanto procuro palavra,
tudo em minha volta se transforma.
A cada lida esbarro em estranha norma
e meu peito é terra pronta pra lavra.
Você, pessoa confusa, meu bem,
traz consigo o passo da ambiguidade,
tem um olhar de moça arteira.
Você é o caminho da tristeza inteira
e também o potencial de toda a felicidade.

Por mais diferente q’eu queira,
o dia terá sempre 24 horas,
a semana, sete auroras.
Esperar é afogar tudo na zoeira.
Por isso, pessoa confusa,
tento ser vento, mas sou tempestade,
aceito ser tempo esta rolante esteira...
Você é o caminho da tristeza inteira
e também o potencial de toda a felicidade.

O fim, o meio e o início.
Desde o início é só questão de dias.
Como reconhecer pessoas perfídias?
É perda de tempo este ofício.
Porque, pessoa confusa, querida,
o amor quando chega, põe fim à sanidade,
Eu? Ainda que saiba, avanço sem fronteira.
Você é o caminho da tristeza inteira
e também o potencial de toda a felicidade.

Bom meus caros, por hoje é só. Com um fraterno abraço,

Alam Félix.