Tenho estado em constantes
metamorfoses ao longo destes últimos meses. Namoro a embriaguez para suportar
ou ao menos aliviar a dor que me consome. Estar sóbrio é estar triste,
entorpeço. Há poucos dias de completar um ano, repasso os fatos tentando
entender o inentendível... é só a vida que passa, nos engolindo com sua totalidade
imensurável. Dada as características das dores particulares. Dores alheias seriam
mais profundas que as minhas? Apois, ‘cada um sabe a dor e a delícia de ser o
que é’, canta Caetano. Temos sentimentos e eles são particulares,
compartilhados, universais. Carrego no peito mais amor que meu coração suporta
amar, e amo, amei, amarei sempre da forma mais intensa, porém elementar, que os
meus braços alcançam abraçar. Sinto falta da minha mãe, sinto falta dos meus
filhos, sinto falta de mim. É possível partilharmos com outras o mesmo
sentimento, mas ainda assim, temos nossa perspectiva, dimensão, profundidade. Das
dores nos fortalecemos. São, talvez, o que nos torna demasiadamente humanos
porque elas denunciam nossa fragilidade e nos expõem. Por esta trilha espinhosa
e pedregosa arrastamos nossa cruz e por hora, é tudo o que eu entendo por vida:
MEDIDA POR MEDIDA
Me faz todo o seu
mau de vez!
Por favor, não meça
esforço,
Esta dor aguda
mereço, torço,
Não findará aqui minha vivez.
Pese na mão, seja mais cruel.
Destila, enfim, este teu
ódio
E envenena-me todo o
ilusório,
A estas dores é fácil ser
fiel.
Ou antes de nova
aurora me mata.
Este artista decadente
implora,
Minha estéril primavera,
não flora.
Assassina-me sem
delongas, Beata!
Conta-me seus segredos
mais sórdidos, oh vida,
E então te amarei na
morte, ainda mais, querida.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirÉ..., meu amigo, li muito atentamente tanto o seu belo e doído texto introdutório, quanto o maravilhoso e não menos doído (e belíssimo) poema Medida por Medida. Ambos me deixaram extremamente pensativo sobre a condição humana do sofrimento e de como sobreviver a ele. Hoje, quando passamos por esses momentos e tendemos a achá-los o pior de todos logo lembramos e "viajamos" juntos com os antigos e contemporâneos (e maravilhosos) artistas - poetas, atores, cantores e compositores, artistas visuais e tantos outros produtores de pensamentos e expressões - passando a entender um pouco o que os move ou movia à produções que até hoje nos embevecem. A dor, o sofrimento e a perda assim como o amor, a felicidade e a beleza da vida andam lado a lado nos provocando a todo momento e nós, os seus subalternos, haveríamos, como havemos e haveremos de flertar com todos esses sentimentos e vivências para deles extrair o sumo que nos alimenta e nos alimentará para todo o sempre! Deixo um abraço afetuoso lhe deixando saber que também não passo por uma boa fase, talvez uma outra espécie de agrura que não a sua neste momento, mas tão contraditoriamente simples e complexa que só uma boa mesa com alguns líquidos a nos estimular para pô-las em cheque. (Será que isso vai prestar? Rs). Abraço grande.
ResponderExcluirNando, obrigado pelo caloroso retorno. Tenho estado meio só ultimamente e isso permite a estes sentimentos mais tempo povoando o corpo e a alma. E, como estou novamente reiniciando tudo, me torno aquele aprendiz de artífice, ajudante do ajudante de pedreiro...
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