sexta-feira, 18 de março de 2016

Adeus - 2 de 5

Quem nunca leu o Discurso do Capibaripe do Cão sem Plumas de João Cabral de Melo Neto, por favor, pare o que esteja fazendo e corra para ler. Agora, você tem mais uma evidência sobre a pessoa que é esta criatura que por hora se desnuda num breve adeus. A Deus. Ao Deus dará. Porque sobrevivi a 2015, suportarei 2016. Na verdade, a gente nunca está preparado para o porvir, mas por hora, o coração gasto é o lastro desta barca desgovernada em que está a minha vida. Sem desespero, há duas formas de dores: aquela que nos fortalece e aquela inútil, que só faz doer. Há o amor. Ele pode ser a cura, mas também dói. O grande problema são as regras que criamos e as quais nos obrigamos a seguir. Temos que escolher a quem amar, segundo certo modelo, ect, ect... eis o equívoco, não é assim que funciona. A gente ama. Não escolhe a quem amar, nem até quando e o desejo, que caminha de braços dados com o amor, é outra história. Então, a partir do exposto, lembro de A Maçã, de Raul Seixas. Raul, outro baiano virado na porra, é mais um dos artistas que me nortearam neste mundo de meu Deus. Por favor, se você não conhece, ouça. O texto a seguir é inspirado nela, um adeus embebido do maluco beleza:


II

Nós e eles:
E um muro bem alto
Nos separando pra sempre,
do mundo, do mundo, do mundo...

Eu e você:
E tantos obstáculos
Teimando em dizer não,
Não, não, não...

A vida é tão leve para quem sabe sorrir.

Veja!
Este mundo é apenas
Um ensaio para o outro
Que está por vir.

Lá, talvez seja possível
Finalmente ser feliz.
Tudo o que nos afastava
Possa, então, nos unir.

A vida é tão leve para quem sabe sorrir.

Você e eu:
Amando em liberdade
Sem barreiras nem muros,
E a inteira verdade.

O amor é a lei
Da tão sonhada utopia,
Que contagia soberano:
Eles e nós.

Nenhum comentário:

Postar um comentário