Quem
nunca leu o Discurso do Capibaripe do
Cão sem Plumas de João Cabral de Melo
Neto, por favor, pare o que esteja fazendo e corra para ler. Agora, você tem mais
uma evidência sobre a pessoa que é esta criatura que por hora se desnuda num
breve adeus. A Deus. Ao Deus dará. Porque sobrevivi a 2015, suportarei 2016. Na
verdade, a gente nunca está preparado para o porvir, mas por hora, o coração gasto
é o lastro desta barca desgovernada em que está a minha vida. Sem desespero, há
duas formas de dores: aquela que nos fortalece e aquela inútil, que só faz doer.
Há o amor. Ele pode ser a cura, mas também dói. O grande problema são as regras
que criamos e as quais nos obrigamos a seguir. Temos que escolher a quem amar,
segundo certo modelo, ect, ect... eis o equívoco, não é assim que funciona. A
gente ama. Não escolhe a quem amar, nem até quando e o desejo, que caminha de
braços dados com o amor, é outra história. Então, a partir do exposto, lembro
de A Maçã, de Raul Seixas. Raul,
outro baiano virado na porra, é mais um dos artistas que me nortearam neste
mundo de meu Deus. Por favor, se você não conhece, ouça. O texto a seguir é inspirado
nela, um adeus embebido do maluco beleza:
II
Nós
e eles:
E
um muro bem alto
Nos
separando pra sempre,
do
mundo, do mundo, do mundo...
Eu
e você:
E
tantos obstáculos
Teimando
em dizer não,
Não,
não, não...
A
vida é tão leve para quem sabe sorrir.
Veja!
Este
mundo é apenas
Um
ensaio para o outro
Que
está por vir.
Lá,
talvez seja possível
Finalmente
ser feliz.
Tudo
o que nos afastava
Possa,
então, nos unir.
A
vida é tão leve para quem sabe sorrir.
Você
e eu:
Amando
em liberdade
Sem
barreiras nem muros,
E
a inteira verdade.
O
amor é a lei
Da
tão sonhada utopia,
Que
contagia soberano:
Eles
e nós.
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