domingo, 13 de dezembro de 2015

Meu Tronco Marias

, muito embora não haja ligação alguma com qualquer coisa que venha vivendo atualmente. Ou com o que eu gostaria de dizer. Como é ausente, definitivamente, a figura paterna no cerne que originou o núcleo familiar no qual eu nasci. Meu avô paterno, Claudionor Santos Moreira, morreu quando o meu pai tinha apenas cinco anos de idade e, sozinha, minha avó Nêga, Benilda Silva Moreira, criou seus filhos, cada barriga de um pai diferente. Conta-se a história que minha avó permaneceu de luto fechado por um longo tempo, mantendo a imagem de viúva resignada. Como ela era bem rechonchuda, conseguiu esconder uma gravidez até ir à maternidade para dar luz aos mabaços. Nesta ocasião, meu pai saíra cantando a plenos pulmões para quem tivesse ouvidos “A viúva foi parir, a viúva foi parir, tralalalá lalá”. A ausência paterna vivida pelo meu pai talvez seja o motivo d’ele ter sido pai tão ausente, como não recebeu esse carinho não aprendeu a amar um filho. Mas como posso eu condená-lo se, mesmo em circunstâncias diferentes, repito o mesmo erro, eu que tenho duas filhas e não tenho nenhuma? E meus garotos agora sempre tão distantes? Minha avó das Dores se separou de meu avô Miguel e também sozinha teve que se virar na criação de seus filhos com a “ajuda” de, muitos, terceiros. Espalhou os filhos pelo mundo de meu deus para trabalhar nas “casas de família”. Conheço apenas o testemunho de Mainha, suas dificuldades e desventuras nos lares alheios, mas isso é um episódio para uma outra oportunidade. O fato é que me formei entre mulheres resistentes, resilientes, fortes e corajosas que enfrentaram as mais adversas vicissitudes na dificílima arte de manter-se vivo, de sobreviver e perpetuar sua prole. E é só isso que fizeram toda vida, sobrevida. Sou cria de mulheres, biológico, social, literal. Simbolicamente também. Biosimbólico. Embora pai, tornei-me também mãe, pãe, como se costuma dizer dos pais solteiros. Amo tanto a figura materna a ponto de sonhar desejar alimentar a partir do meu corpo, meu peito, o filho amado. Minha árvore é de um tronco Marias. Benilda, Maria das Dores e Maria Luzia que hoje, 13 de dezembro de 2015, completaria sessenta e sete anos.

MEU TRONCO MARIAS

Nome bonito é Maria.
Que existiu desde sempre,
Antes de ser gente, lembre,
Por perto sempre estaria.

Nome forte é Maria.
Alimentado de sua matriz,
Seu leite regou minha raiz,
Formou-me sua sabedoria.

Nome querido é Maria.
Por mais longe que esteja,
Meu peito bate, almeja,
Um dia reencontrá-la, alegria.

Nome saudoso é Maria.
É carne da minha carne,
Essência do meu cerne,
Alicerce meu, minha matéria.

Hoje é o primeiro treze de dezembro de minha vida que não foi comemorado. Meu coração, ainda amargurado, tentar se reconciliar com a saudade. Sem mais no momento, caros amigos, um fraterno abraço.


5 comentários:

  1. Observe o céu e veras nas sombras das estrelas as Tuas Marias, é olhando para as minhas Marias la em cima, que me fortaleço a cada amanhecer..lindo texto professor#!!

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  2. Observe o céu e veras nas sombras das estrelas as Tuas Marias, é olhando para as minhas Marias la em cima, que me fortaleço a cada amanhecer..lindo texto professor#!!

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    1. Oi Emili, apois, estarei atento aos sinais das estrelas. 'Brigado pelas palavras. Elas estarão presente, em cada ação que nos remeta aos seus exemplos, seus ensinamentos e sabedoria. Abração colega.

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  3. Assim como lhe tenho dito o quão bom tem sido estar contigo a trocar conversas (queixumes, alegrias e sonhos), bom também tem sido ler a sua desnudada e admirável coragem em forma de textos profundos e tocantes ainda nesse tempo de saudades frescas que lhe tomam. Catarse útil e necessária à sua (nossa, de todos) "eterna formação em humanologia" que tem se mostrado a cada dia mais profícua. Grande e afetuoso abraço! Seguindo em frente.

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