Meus
caros amigos, espero que estejam todos gozando de plena saúde. Na
última Quinta-feira Santa (24/03/2016) fiz uma publicação contando
do meu deslumbre de menino sobre a Paixão de Cristo.
Junto foi a poesia III
que acredito ser uma das minhas melhores produções do ano passado
“Meu corpo é um jardim/ E minha vontade é o jardineiro...” Já
falei por aqui de minha vida católica na segunda infância e
pré-adolescência mais de
uma vez, né? Pois bem, nosso papo de hoje versa mais um pouco dessa
experiência. Eu amava esse festejo.
Começava com o Domingo de Ramos e
terminava com a Queima de Judas/ Festa da
Cebola. Este
período que antecede a Páscoa, chama-se Tríduo
Pascoal. A
Páscoa no Segundo Testamento significa a passagem da morte para a
vida: a Ressurreição de Cristo, eu sei que no Primeiro Testamento
tem outro significado, mas eu o ignoro; sei também que (talvez num
período pré-cristão) pastores nômades chamavam de páscoa uma
celebração para a chegada da primavera. Bom, o tríduo do qual
falei são
três dias de celebração, a Quinta-feira
Santa, a
Sexta-feira Santa
e
o
Sábado de
Aleluia.
Não sei se vou lembrar de toda a liturgia, mas
lembro muito
bem que
na quinta tinha o Lava
Pés e
a Celebração do
Amor; na
sexta tinha a
Celebração do Senhor Morto e,
a melhor parte dos festejos que eram, a comilança e a bebilança; no
sábado tinha o Ofício
das Trevas
que representa a descida de Cristo ao reino dos mortos e, para
terminar esse processo de preparação para a Páscoa, tinha a
Vigília Pascoal. Todo
isso para relembrar o mistério da presença e do amor de Deus. Não
lembro se acontecia antes ou durante a vigília a Queima
do Judas e
a Festa da Cebola,
só
lembro que rolavam
e que era uns dos pontos altos do período festivo.
Será
que todos lembram…? A queima
era aquele boneco cheio de fogos de artifícios que todos se sentiam
justiçados ao atear fogo no Judas simbólico, já a festa
reunia
os jovens da paróquia e as meninas eram que tinham que tirar os
meninos para dançar. Bons tempos, tempos de ingênua inocência.
ENQUANTO
O TEMPO PASSA
Decanta
a poeira em
ponteiros:
Enquanto
espero que
perceba;
Enfileiram-se
memoriais estéreis:
Enquanto
giro displicente a roda;
Instrumentos
surtos gritam suas notas:
Enquanto
estudo conselhos inúteis;
Olhos
cegos iluminam o vácuo:
Enquanto
cato os cacos prematuros;
Estala
a linha que rompe aço:
Enquanto
engasgo aquele vinho;
Amarga
o tempo que passa:
Enquanto
mato a sede a alma:
Ignora,
relapsa, adia, desmerece:
Enquanto
o tempo dirá o quanto
Eu
te amo.
Enquanto
o tempo passa.
Meus caros amigos, desejo-lhes uma boa Sexta-feira Santa, boa Páscoa. Sem mais no momento, por hoje é só. Com um abraço fraterno,
Alam Félix
Excelente , texto . Parabéns! Fez-me bem lê -lo
ResponderExcluirQue bom vê-lo escrevendo sobre um bom passado e sabê-lo lembrar sobre ritos e tempos de religião. Religião essa que nos toma, não somente como obrigação dogmática e/ou socorro para a alma calejada. Religião como cultura de um tempo, como veículo para o gozo e a traquinagem infantil e por fim como vivência de um tempo mesmo, sem muitos rótulos. Boa Páscoa prá você também, negão. Bom poder lhe dizer isso sem receios, rs. E nem católico sou! Abraço. NANDO
ResponderExcluir