quinta-feira, 13 de abril de 2017

ENQUANTO O TEMPO PASSA

Meus caros amigos, espero que estejam todos gozando de plena saúde. Na última Quinta-feira Santa (24/03/2016) fiz uma publicação contando do meu deslumbre de menino sobre a Paixão de Cristo. Junto foi a poesia III que acredito ser uma das minhas melhores produções do ano passado “Meu corpo é um jardim/ E minha vontade é o jardineiro...” Já falei por aqui de minha vida católica na segunda infância e pré-adolescência mais de uma vez, né? Pois bem, nosso papo de hoje versa mais um pouco dessa experiência. Eu amava esse festejo. Começava com o Domingo de Ramos e terminava com a Queima de Judas/ Festa da Cebola. Este período que antecede a Páscoa, chama-se Tríduo Pascoal. A Páscoa no Segundo Testamento significa a passagem da morte para a vida: a Ressurreição de Cristo, eu sei que no Primeiro Testamento tem outro significado, mas eu o ignoro; sei também que (talvez num período pré-cristão) pastores nômades chamavam de páscoa uma celebração para a chegada da primavera. Bom, o tríduo do qual falei são três dias de celebração, a Quinta-feira Santa, a Sexta-feira Santa e o Sábado de Aleluia. Não sei se vou lembrar de toda a liturgia, mas lembro muito bem que na quinta tinha o Lava Pés e a Celebração do Amor; na sexta tinha a Celebração do Senhor Morto e, a melhor parte dos festejos que eram, a comilança e a bebilança; no sábado tinha o Ofício das Trevas que representa a descida de Cristo ao reino dos mortos e, para terminar esse processo de preparação para a Páscoa, tinha a Vigília Pascoal. Todo isso para relembrar o mistério da presença e do amor de Deus. Não lembro se acontecia antes ou durante a vigília a Queima do Judas e a Festa da Cebola, só lembro que rolavam e que era uns dos pontos altos do período festivo. Será que todos lembram…? A queima era aquele boneco cheio de fogos de artifícios que todos se sentiam justiçados ao atear fogo no Judas simbólico, já a festa reunia os jovens da paróquia e as meninas eram que tinham que tirar os meninos para dançar. Bons tempos, tempos de ingênua inocência.


ENQUANTO O TEMPO PASSA

Decanta a poeira em ponteiros:
Enquanto espero que perceba;
Enfileiram-se memoriais estéreis:
Enquanto giro displicente a roda;
Instrumentos surtos gritam suas notas:
Enquanto estudo conselhos inúteis;
Olhos cegos iluminam o vácuo:
Enquanto cato os cacos prematuros;
Estala a linha que rompe aço:
Enquanto engasgo aquele vinho;
Amarga o tempo que passa:
Enquanto mato a sede a alma:
Ignora, relapsa, adia, desmerece:
Enquanto o tempo dirá o quanto
Eu te amo.
Enquanto o tempo passa.

Meus caros amigos, desejo-lhes uma boa Sexta-feira Santa, boa Páscoa. Sem mais no momento, por hoje é só. Com um abraço fraterno,

Alam Félix

2 comentários:

  1. Excelente , texto . Parabéns! Fez-me bem lê -lo

    ResponderExcluir
  2. Que bom vê-lo escrevendo sobre um bom passado e sabê-lo lembrar sobre ritos e tempos de religião. Religião essa que nos toma, não somente como obrigação dogmática e/ou socorro para a alma calejada. Religião como cultura de um tempo, como veículo para o gozo e a traquinagem infantil e por fim como vivência de um tempo mesmo, sem muitos rótulos. Boa Páscoa prá você também, negão. Bom poder lhe dizer isso sem receios, rs. E nem católico sou! Abraço. NANDO

    ResponderExcluir