terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A Revolta dos Dândis

A Revolta dos Dândis

Bom, vamos começar pelo pré-início, certo? Sempre que digo algo sobre a minha formação, enquanto pessoa, cito uma série de artistas e obras que julgo que foram importantes para mim. Costumo citar também a teologia da libertação na catequese da pré-adolescência e os quadrinhos de sacanagem. Cito Legião Urbana e Titãs, o Grupo Brecha e o Ensaio sobre a cegueira/O Evangelho Segundo Jesus Cristo, ambos de Saramago. Deixe-me fazer uma justiça: o disco A Revolta dos Dândis da banda Os Engenheiros do Hawaii. Na semana passada na sala de aula, uma aluna citou um trecho de Infinita Highway “A dúvida é o preço da pureza”. Por conta disso passei os dias de lá para cá ouvindo e reouvindo o disco sentindo um gosto de 1988 na boca. Passei tudo isso em revista comigo aos 15 anos. Nossa!! Como tem de mim ali, talvez seja mais acertado dizer como tem do “Revolta..” em mim. Aquelas canções... Todas elas dialogam com o Alam de agora. Bom, mas a visita de hoje, objetiva tratar de uma nova investida, o projeto eller, cuja brincadeira é manter o corpo limpo de substâncias entorpecentes para criar, depois pirar na criação e então overdosar (quem viu Cássia em Veneno Vivo de perto, sabe do que estou falando), isto leva a citar uma festa muito jovem que fui conhecer no dia 04/02/17, a Xcania, em sua 7ª ed. Tal evento me fez lembrar uma frase dos 80’s “melhor viver dez anos a mil, que mil anos a dez”, se eu não me engano falado, pelo hoje chato, Lobão. Falando nisso, esta semana ainda, tive uma conversa com uma amiga muito querida, muitíssimo querida, sobre este roteiro insosso que é a vida. Na verdade, a vida oferece sensações interessantes, porém é preciso estar completo para vivenciá-las plenamente. E este estar completo é que é o “X” da questão. O texto abaixo é sobre essa conversa (espero que isso não seja um problema para ela). Então, chagamos enfim ao início, citando Caetano e sua Ele Me Deu Um Beijo Na Boca: “a vida é oca como a toca de um bebê sem cabeça” e Gessinger e seu Revolta dos Dândis: “o sangue só corre nas veias por pura falta de opção”. Na conversa, em algum momento, lhe perguntei por que tudo se engendra desta maneira? Tento não incomodar nem abusar ninguém, porém vem algo de lá que rouba-me a paz mais cara. E o que isso tudo tem haver? Bom, deixe-me explicar:

Rachaduras

Já faz um tempo que não sou feliz,
encarno cego signo imérito ao nome
como latente desejo que não come,
emolho dias de nenhum ardis.
No belo traço da verdadeira paz
há insossa harmonia de formoso vazio.
Imposto à vida, este famoso desvio,
traduz inútil desejo de ser aventura audaz.
Através de tais rachaduras, se esvai
o pulso galanteio do querer viver.
Saiba, tampouco é santo o meu querer,
por isso, sou aquele filho que nega o pai.
Desculpe te amar em demasia ou se seu beijo venero,
Seu honesto amor é tudo o que eu mais quero.


Sem mais no momento, meus caros amigos, com um abraço fraterno,

Alam Félix

Nenhum comentário:

Postar um comentário