A Revolta dos Dândis
Bom, vamos começar pelo
pré-início, certo? Sempre que digo algo sobre a minha formação, enquanto
pessoa, cito uma série de artistas e obras que julgo que foram importantes para
mim. Costumo citar também a teologia da libertação na catequese da
pré-adolescência e os quadrinhos de sacanagem. Cito Legião Urbana e Titãs, o Grupo
Brecha e o Ensaio sobre a cegueira/O Evangelho Segundo Jesus Cristo, ambos de
Saramago. Deixe-me fazer uma justiça: o disco A Revolta dos Dândis da banda Os
Engenheiros do Hawaii. Na semana passada na sala de aula, uma aluna citou um
trecho de Infinita Highway “A dúvida é o preço da pureza”. Por conta disso passei
os dias de lá para cá ouvindo e reouvindo o disco sentindo um gosto de 1988 na
boca. Passei tudo isso em revista comigo aos 15 anos. Nossa!! Como tem de mim
ali, talvez seja mais acertado dizer como tem do “Revolta..” em mim. Aquelas
canções... Todas elas dialogam com o Alam de agora. Bom, mas a visita de hoje, objetiva
tratar de uma nova investida, o projeto eller, cuja brincadeira é manter o
corpo limpo de substâncias entorpecentes para criar, depois pirar na criação e
então overdosar (quem viu Cássia em Veneno Vivo de perto, sabe do que estou
falando), isto leva a citar uma festa muito jovem que fui conhecer no dia 04/02/17,
a Xcania, em sua 7ª ed. Tal evento me fez lembrar uma frase dos 80’s “melhor
viver dez anos a mil, que mil anos a dez”, se eu não me engano falado, pelo
hoje chato, Lobão. Falando nisso, esta semana ainda, tive uma conversa com uma amiga
muito querida, muitíssimo querida, sobre este roteiro insosso que é a vida. Na
verdade, a vida oferece sensações interessantes, porém é preciso estar completo
para vivenciá-las plenamente. E este estar completo é que é o “X” da questão. O
texto abaixo é sobre essa conversa (espero que isso não seja um problema para
ela). Então, chagamos enfim ao início, citando Caetano e sua Ele Me Deu Um
Beijo Na Boca: “a vida é oca como a toca de um bebê sem cabeça” e Gessinger e
seu Revolta dos Dândis: “o sangue só corre nas veias por pura falta de opção”. Na
conversa, em algum momento, lhe perguntei por que tudo se
engendra desta maneira? Tento não incomodar nem abusar ninguém, porém vem algo
de lá que rouba-me a paz mais cara. E o que isso tudo tem haver? Bom, deixe-me explicar:
Rachaduras
Já faz um
tempo que não sou feliz,
encarno cego
signo imérito ao nome
como latente
desejo que não come,
emolho dias de
nenhum ardis.
No belo traço da
verdadeira paz
há insossa harmonia
de formoso vazio.
Imposto à vida, este famoso desvio,
traduz inútil
desejo de ser aventura audaz.
Através de
tais rachaduras, se esvai
o pulso
galanteio do querer viver.
Saiba, tampouco
é santo o meu querer,
por isso, sou aquele
filho que nega o pai.
Desculpe te amar em demasia ou se seu beijo venero,
Seu honesto amor é tudo o que eu mais quero.
Sem mais no momento, meus caros amigos, com um abraço fraterno,
Alam Félix
Sem mais no momento, meus caros amigos, com um abraço fraterno,
Alam Félix
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