Ah, meus caros amigos,
“Até quando?” Eu me perguntava
há pouco mais de um mês. “Até o fim” Me parece ser a resposta. Sabe, tem uma
porção de coisas que eu gostaria de evitar no momento ou até mesmo evitar para
sempre. Embora ‘para sempre’ seja sempre uma expressão que me assusta. E nada é
para sempre. O que na verdade, é muito bom. Tentei evitar, mas não consegui. Repare comigo, este roteiro que é a
vida, é muito repetitivo. Por mais que a gente tente fugir da rotina, a fuga
torna-se rotineira. Sempre ouço, “Vamos trilhar caminhos diferentes”, ‘diferentes’ o quanto?
Neste caminhar faremos a trilha ou a trilha nos farar? “pouco importa o onde, o
importante é ir”. O Gato, meio que discorda disso. Ele diz, algo assim, a
Alice: “Se sabe onde quer chegar, pouco importa o caminho que vai seguir.”
Pessoa arrebata: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Vamos, sem destino,
sem trilhas, sem hora, sem agora, sem medo, sem amanhã. Vamos, Pessoa!
PESSOA
Enquanto procuro palavra,
tudo em minha volta se transforma.
A cada lida esbarro em estranha norma
e meu peito é terra pronta pra lavra.
Você, pessoa confusa, meu bem,
traz consigo o passo da ambiguidade,
tem um olhar de moça arteira.
Você é o caminho da tristeza inteira
e também o potencial de toda a felicidade.
Por mais diferente q’eu queira,
o dia terá sempre 24 horas,
a semana, sete auroras.
Esperar é afogar tudo na zoeira.
Por isso, pessoa confusa,
tento ser vento, mas sou tempestade,
aceito ser tempo esta rolante esteira...
Você é o caminho da tristeza inteira
e também o potencial de toda a felicidade.
O fim, o meio e o início.
Desde o início é só questão de dias.
Como reconhecer pessoas perfídias?
É perda de tempo este ofício.
Porque, pessoa confusa, querida,
o amor quando chega, põe fim à sanidade,
Eu? Ainda que saiba, avanço sem fronteira.
Você é o caminho da tristeza inteira
e também o potencial de toda a felicidade.
Bom meus caros, por hoje é só. Com um fraterno abraço,
Alam Félix.
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